SOLDADO DA BORRACHA DE 108 ANOS RESISTE E ESPERA DE BRASÍLIA E DO STJ PARA GARANTIR SEUS DIREITOS, EM VIDA

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Humaitá, Amazonas – Acossados por dificuldades e levando uma vida de penúria sob o olhar complacente das autoridades, soldados da borracha e seringueiros que deram o sangue e o suor para manter a indústria da guerra, já definham em seus leitos nos grotões espalhados da Amazônia Brasileira.

É o caso de Juvênio Arruda de Oliveira, 108 anos, recrutado pelo Ministério da Guerra para desbravar seringais no ‘Front da Borracha’, em Boca do Acre e região do Alto Purus, hoje, ‘sobrevindo da própria sorte’.

Por esse e outros motivos, diante de mais um descaso atribuído ao Governo e autoridades afins, é que o Vice-Presidente do SINDSBOR (Sindicato dos Seringueiros e Soldados da Borracha), George Telles (O Carioca) foi ao local onde mora, Juvêncio, praticamente, em sobrevida à míngua.

Sem terra, sem teto e sem nada, Juvêncio é mais um dos símbolos da resistência e da luta pela aprovação da ação que indenizará os soldados da borracha que trabalharam durante a Segunda Guerra (1939-45), ainda em trâmite no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Como ele, os últimos seringueiros que trabalharam nos seringais amazônicos para sustentar a indústria pneumática na Europa e Estados Unidos, no conjunto formado pelos países aliados, ‘já não podem esperar devido a idade muito avançada’, diz Carioca.

No prelo da história ainda está evidente que o Governo Vargas prometeu a manutenção de direitos e recompensar os seringueiros, mais tarde transformados em soldados da borracha. Não foi isso que aconteceu nos pós-Guerra.

Segundo disse Juvêncio ao dirigente do SINDBSOR, ‘vim com a família para Amazônia para ajudar a explorar seringa, para trabalhar no “Esforço de Guerra”.

– Aqui, entre onças, jacarés e anacondas gigantes, além da temida malária, atravessaram as piores agruras em nome do Brasil, da Campanha da Borracha, contra o Nazismo e os países do Eixo, revelou balbuciando palavras entrecortadas, mas audíveis em outros momentos.

Distante da Capital Federal, mais de 3.200 quilômetros separam o soldado da borracha Juvêncio do centro de decisões e nervoso de Brasília – Praça dos Três Poderes, segundo ‘Carioca’, ‘lugar onde está localizado o Panteão da República’, o livro que guarda gravado o nome dos Heróis do Brasil, repousa em silêncio guardando a ‘Memória’ daqueles que serviram para o engrandecimento da Nação. – Neste memorial, também está reconhecida a valorosa contribuição que os soldados da borracha deram à Nação, reafirmou.

As notícias desse soldado da borracha vêm da cidade de Boca do Acre, interior do estado do Amazonas. Juvêncio vive isolado em um quarto de um barraco de madeira, localizada no Bairro Macaxeiral. O centenário seringueiro ganhou visita do Sindicato dos Soldados da Borracha de Rondônia.

Em conversa, Juvêncio, com a voz quase imperceptível embargada,  fala das dificuldades e sofrimentos do tempo dentro dos antigos seringais, madrugadas à dentro que dedicara à  produção da borracha, ao enfrentar onças, cobras e bichos brabos para garantir a cota de borracha exigida pelo patrão e pelo governo do Brasil.

Com simplicidade e com muita dificuldade, Juvêncio ergue a bainha de sua calça e mostra as cicatrizes de um ataque sofrido por um  Jacaré – Açu. O fato ocorreu numa estrada de coleta do látex em um seringal na calha do Rio Purus.

Na época, perdeu a parte maior da planta (solado) de um dos pés cuja marca carrega até hoje, o que lhe dificulta os movimentos e que terá que carregar por toda a vida.

Cego em decorrência da labuta de décadas defumando o látex, Juvêncio, aos 108 anos de idade, resiste bravamente à espera da decisão a ser tomada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), além de enfrentar crises respiratórias intensas, seja lutando contra inflamações nos olhos e sem saber se estará vivo no dia seguinte.

Doente e prostrado no barraco onde mora, o ex-seringueiro gasta a maior parte do benefício dado pelo INSS no tratamento da saúde; sem plano de assistência médica ou acesso a um atendimento na rede de saúde pública.

O soldado da borracha, nessas circunstâncias, desfruta isolado e esquecido pelas autoridades do país, ‘teimosamente desfruta o pouco da vida que ainda lhe resta, mesmo na condição de herói da Pátria e inscrito no Livro da Pátria, em Brasília’, atesta Juvêncio a Carioca.

Por fim, sob um gesto de curiosidade e um sorriso de satisfação quanto à visita do dirigente do SINDSBOR-Rondônia, Juvêncio finaliza demonstrando querer saber ‘onde está o dinheiro dos soldados da borracha prometido por Getúlio Vargas e os norte-americanos’.

Algo mais, em uma pergunta exclamava: E o dinheiro dos soldados da borracha está perto de sair?

– O Brasil vai reconhecer o que nos fizemos?, indagou ele, entre olhares cruzados ante a instantes de silêncio.

Com um aperto de mão simbólico e palavras de agradecimentos, Juvêncio se despede e é comunicado que ‘a Ação Judicial dos soldados da borracha ainda tramita no STJ’, ação esta que exige o pronto reconhecimento dos soldados da borracha pelo Governo ew com direitos à indenização pelo tempo que trabalharam para os Aliados dentro dos seringais para sustentar a indústria da Guerra.

 Fonte: NewsRondônia
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