Polícia descobre para quem soldado vazou informação de megaoperação

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A polícia descobriu o nome do traficante para quem o soldado do Exército Matheus Ferreira Lopes, de 19 anos, vazou as datas e horários das três megaperações conjuntas das forças de segurança em comunidades do Rio. O homem é Marco Antônio Jacinto da Silva, o Biscole, do Comando Vermelho. Há suspeita de que ele recebia dinheiro em troca das ligações. A Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) tenta identificar outras duas pessoas que também participaram do esquema.

Biscolé é um dos homens de confiança do chefe do tráfico do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Thomaz Jhayson Vieira Gomes, o 2N. Ele é apontado pela Divisão de Homicídios de Niterói , Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) como autor da execução e ocultação dos cadáveres dos amigos de infância Joel Gustavo de Lima Soares, o Caboré, 32, e Marcelo da Cunha Ferreira Soares, 33, em Janeiro.

4z5w9zmndouedx3s3sjchzbr9Os amigos saíam de um baile funk quando foram abordados pelos criminosos e foram mortos porque os traficantes suspeitaram que eles fossem informantes da polícia. Ate hoje, os corpos não foram encontrados. O 2N é conhecido por postar fotos de fuzil desafiando a polícia nas redes sociais.

Nesta segunda-feira, sem ter informações detalhadas sobre o vazamento, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, minimizou o ato. “É importante dizer que um soldado, exatamente pela sua posição, não tem informações estratégicas. Isso significa que a sua capacidade de trazer prejuízos é extremamente limitada”. Segundo a Polícia Civil, desde a primeira operação, realizada no Complexo do Lins, no dia 5 de agosto, criminosos foram avisados do local das ações.

Os vazamentos só foram confirmados na semana passada. “Assim que identificamos o repasse dessas informações, pedimos a prisão do militar ao plantão judiciário, na sexta-feira. Ele ainda teve tempo de informar sobre a operação de ontem”, disse o titular da Dcod, Felipe Curi. O militar já prestou depoimento e teve seu celular apreendido para inspeção. Além de gravações, a delegacia vai apurar mensagens divulgadas nas redes sociais que possam ter contribuído com os vazamentos. Em uma conversa de celular, por exemplo, um homem diz que foi informado por um amigo paraquedista que haveria a operação no Jacarezinho, uma das favelas alvo de mais uma operação integrada das forças de segurança, realizada ontem.

Além da comunidade, Manguinhos, Bandeira 2, Mandela, Arará, Mangueira, Complexo do Alemão e o Conjunto Habitacional Morar Carioca (no Jacaré), todos na Zona Norte, também tiveram incursões.

Forças Armadas atuaram nos acessos ao Jacarezinho, Bandeira 2 e Manguinhos enquanto policiais civis fizeram incursões nas comunidades Severino Silva / Agência O Dia

Forças Armadas atuaram nos acessos ao Jacarezinho, Bandeira 2 e Manguinhos enquanto policiais civis fizeram incursões nas comunidades
Severino Silva / Agência O Dia

Um oficial do Exército, que pediu anonimato, disse que surpreende o fato de um soldado saber horas antes sobre a ação. “Temos um protocolo e poucos oficiais sabem onde será a operação. Os soldados só sabem na hora. É estranho isso ter ocorrido.”
A operação de ontem foi desencadeada a partir de inquérito da Dcod que investiga o tráfico de drogas no Jacarezinho. A primeira incursão foi realizada no dia 15, somente pela Polícia Civil. Nela, o policial da Core, Bruno Buhler, morreu. Desde então, a Polícia Civil tem feito operações diárias na comunidade em busca dos suspeitos de terem participado do tiroteio que terminou com a morte de Buhler. Em 11 dias, seis pessoas morreram e outras oito foram baleadas na favela. Ontem, não houve feridos e 40 pessoas foram presas.

A operação teve início às 5h30, com o posicionamento de militares (cerca de 5 mil das Forças Armadas) em pontos considerados estratégicos de uso do tráfico. Participaram ainda das incursões e cercos 600 agentes da Polícia Civil, 300 PMs e 240 da Força Nacional, Políca Federal e Polícia Rodoviária Federal.

No Jacarezinho, mulheres também eram revistadas por militares Severino Silva / Agência O Dia

No Jacarezinho, mulheres também eram revistadas por militares
Severino Silva / Agência O Dia

Armas e drogas apreendidas

Entre as armas apreendidas na operação de ontem está uma pistola Glock adaptada com carregador que dispara em rajadas. Como noticiou, investigação da Dcod aponta que bandidos do Jacarezinho entregam esse tipo de armamento até para usuários de crack, quando há incursão policial. Táticas de guerrilha também são utilizadas pelos bandidos.

Segundo a Delegacia de Armas e Explosivos, esse adaptador transforma a pistola em uma submetralhadora e é conhecida pelos traficantes como Robocop. Na operação também foram apreendidas cinco pistolas de uso restrito, diversos carregadores, duas miras telescópicas; 244 cartuchos de diferentes calibres; e quatro granadas improvisadas.

Entre as drogas, foram apreendidos 300 kg de maconha; 10 kg de cocaína; 1,5 kg de haxixe e centenas de tubos de lança-perfume.

Também fazem parte das apreensões, segundo a Desarme, dezenas de rádios transmissores; diversas balanças de precisão; Material para endolação de drogas e insumos para mistura de drogas.

Sem prazo para reabrir escolas 

A Secretaria Municipal de Educação do Rio anunciou ontem que 15 escolas localizadas na comunidade do Jacarezinho ficarão fechadas a partir de hoje por tempo indeterminado devido à violência na região. Outros 11 colégios — sendo dois no entorno do Jacarezinho e nove em Manguinhos — farão horários alternativos para não expor seus alunos a riscos de tiroteios. A medida foi tomada após reunião entre o secretário de Educação, César Benjamin, e os diretores das 26 escolas afetadas. A secretaria informou que uma equipe de assessores irá monitorar diariamente a situação para decidir o momento apropriado para a reabertura das 15 unidades e da volta do horário normal das demais escolas. Um cronograma de reposição das aulas perdidas será estabelecido. Desde o dia 11, quando o policial Bruno Buhler morreu baleado, escolas do Jacarezinho têm sido fechadas diariamente por conta de operações.

Devido às operações de ontem em diversas comunidades e à violência, 64 unidades de ensino não abriram as portas, prejudicando 26.975 alunos. O número, que representa 4% da rede municipal, foi considerado o recorde do ano.

Polícia investiga mensagens que avisam suspeitos sobre as ações Reprodução

Polícia investiga mensagens que avisam suspeitos sobre as ações
Reprodução

Ontem, 2,4 mil crianças ficaram sem aulas no Jacarezinho. No Complexo do Alemão, foram prejudicados 9.615 alunos, em Manguinhos/Benfica, 5.685, e Higienópolis, 3.895. Ainda segundo a secretaria, desde o início do ano letivo, em 2 de fevereiro, foram fechadas 409 unidades de ensino por conta da violência, prejudicando o aprendizado de 145.928 alunos.

PRF prende ‘bandido ostentação’

A PRF prendeu na madrugada de ontem o suspeito de gerenciar o tráfico de drogas na favela Nova Holanda, na Maré. Alexandre Carlos Ferreira do Nascimento, o Mudinho, foi detido na Rodovia Washington Luiz, em Duque de Caxias. Ele sofreu um acidente ao tentar fugir.

Mudinho é conhecido por roubar motos caras e mostrá-las nas redes sociais, além de fazer transmissão ao vivo de bailes funks na internet, como DIA noticiou. Ele também é acusado de envolvimento na morte da menina Fernanda Pinheiro, 7.

Comlurb remove 127,3 toneladas de resíduos no Jacarezinho

Em pouco mais de duas horas de serviços, a Comlurb removeu,na manhã desta terça-feira, 127,3 toneladas de resíduos no Jacarezinho, antes de suspender os trabalhos. Em nota, a Companhia informa, ainda, que retornou à comunidade nesta manhã, para dar seguimento ao trabalho de limpeza pública da região, onde já havia removido 350 toneladas de resíduos sólidos, desde o último domingo.

No entanto, de acordo com a Comlurb, para garantir a integridade física dos 100 trabalhadores, que atuavam no local, os serviços foram suspensos por volta das 9h30, com previsão de retorno quando a situação no entorno da comunidade for regularizada.

Fonte: odia.ig.com.br

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